
Para responder os quetionamentos da Bia para postagem ,REFLEXÕES SOBRE A TURMA DE ESTÁGIO , vou usar como subsídios algumas idéias de John Dewey (1859-1932) retiradas do seu livro Democracia e Educação, publicado em 1916.Este filósofo americano, foi o pioneiro na concepção de que a função primordial da educação é ensinar a pensar e fazer do aluno um investigador.Também terei como embasamento teórico o nosso mestre Paulo Freire(1921-1997), educador que contribuiu na área da educação popular para a alfabetização e a conscientização política de jovens e adultos operários.

Será mesmo que alfabetizar adultos e crianças é tão diferente na sua essência?
Na minha visão o que difere a alfabetização de adultos da alfabetização de crianças é o tipo de interesse dos alunos,pois as crianças se motivam quando usamos o lúdico ou aguçamos sua curiosidade, enquanto no adulto precisamos explorar o foco do seu interesse naquele momento e transformá-lo em motivação para aprenderem.
Será que alfabetizar crianças deva ser com cartilhas e frases soltas mas com o adulto não?
Segundo Paulo Freire as práticas educacionais envolvendo alfabetização de crianças com metodologias tradicionais de ensino não despertavam interesse no educando nos adultos estas ações promovem a evasão escolar. Quando escrevi educandodo queria me referir a todos os educandos, porém dei uma ênfase maior aos adultos , por serem autônomos e não permanecem nas salas de aula ,pois já não se sentem obrigados a fazerem algo que os desagrada.
Criança não precisa refletir, pode reproduzir e nem se evade porque a aula é chata? Será que bagunçar, não prestar atenção, atazanar o professor não é a maneira que as crianças acharam de se evadir sem sair fisicamente da sala?
Concordo com você que a indisciplina na maioria das vezes é uma conseqüência da falta de um planejamento que desperte no educando o interesse por descobrir coisas novas. Isto eu consigo ver muito claro quando estou auxiliando na coordenação de turno, em minha escola, os alunos de professores que seguem os livros didáticos ao pé da letra, são os que possuem mais indisciplina e também esses professores são os que menos possuem domínio de classe. John Dewey (1859-1932) no seu livro Democracia e Educação, publicado em 1916, já dizia que a função da educação é ensinar a pensar. Para ele o pensar era sinônimo de investigação, processo que tem início quando nos deparamos com uma situação , que requer uma solução. Segundo Dewey o pensamento reflexivo começa com um problema e seu desencadeamento só terá continuidade se estiver dentro do campo de interesse do aluno, este interesse é o diferencial entre a alfabetização de crianças e adultos. O educando deve estar em uma verdadeira situação de experiência, dentro de uma atividade que seja interessante por si mesma, onde um problema o desafie, como foi o caso dos nossos PAs no VI semestre,onde cada grupo foi em busca de informações que eram significativas para si, pois os grupos foram formados pelo interesse comum.
O que aprendestes com o noturno? Deixa mais claro e preciso o teu pensamento ou as tuas aprendizagens.
Segundo Dewey “atitude reflexiva” implica a disposição para enfrentar desafios permanentes,sabendo que a solução nunca será satisfatória. É assim que vejo os alunos da EJA um desafio permanente,uns querem se libertar da escuridão(anafalbetismo), outros querem apenas sair da condição de incapazes, pois chegam à sala de aula com sua estima muito desvalorizada, muitas vezes pelos próprios filhos , ao qual fizeram até o impossível para dar-lhes o estudo(neste caso tem a mãe que comprou o computador para o filho, mas nunca mexeu, pois o filho a fez acreditar que poderia estragá-lo). Os alunos EJA são pessoas que trabalharam muito e ainda trabalham, conseguem sustentar sua família com dignidade, porém nem sempre são valorizadas. Esses alunos quando chegam na EJA querem aprender a ler , escrever,argumentar, se defender,fazer cálculos e principalmente deixar de serem passados para trás. Não são pessoas que vivem alienadas, elas querem entender os noticiários, para poderem se posicionar. Também querem pensar por si só sem que os outros tomem decisões por eles, não querem ser inferiores aos outros , mas respeitam nos outros o mesmo direito.
2 comentários:
Colega e amiga Marivani!
Sempre que posso acompanho tuas colocações sobre educação, aprendizagem e, principalmente, as questões relativas a escola.
Aprendo muito, sempre.
Causou-me estranhamento a utilização de termos como "domínio de classe" e "indisciplina"...
Penso em nossas colegas que são ameaçadas por alunos que muitas vezes vêm a escola por motivos que não são os de construção dos conhecimento e se tu dirias que o que falta a elas é "domínio de classe" e que suas aulas são desesimulantes?
Penso em alunos que são enviados ao turno da noite por não terem mais condições de ficar no diurno por questões sócio-econômicas e que cumprem mais uma jornada de "estudos" para poder continuar em seus "empregos-estágios" e que pouco se intessam pelo que se passa na sala de aula.
Penso que nas reuniões pedagógicas da escola essas questões poderiam ser discutidas...e quem sabe alguém soubesse como "ensinar" nossas colegas a ter "domínio de classe" sobre esses "insdisciplinados" alunos...
São tantas questões e tão poucas respostas...
Aprendemos com nossos erros mais do que com nossos acertos, me disse certa vez um professor.
Eu acredito que aprendemos com nossas dúvidas e não com nossas certezas...
Abraços, Sônia Maris
Oi Marivani, que bom que tens uma colega que te puxa a pensar!! Gostei das colocações delas. São, inclusive, os dois lados de uma mesma moeda, onde indisciplina e violência estão não só ligadas ao ambiente escolar como traz para ele a violência do meio social. Agora, são elementos que temos que discutir e buscar formas de enfrentá-los com rigor e segurança aliadas ao despertar da significação da escola para eles. Mas vamos a você!! Que maravilha!! Adorei o quanto tu te munistes para topar as minhas provocações. Buscaste a argumentação teórica e isso foi excelente. Teu post está muito bom, com elementos reflexivos interessantes e ainda capazes de provocar reações em companheiros leitores. Parabéns!!Valeu!!
Um abração
Bea
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