sábado, dezembro 13, 2014

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Considerações Finais

Quando iniciei o curso de Pedagogia a Distância, já tinha vinte anos de experiência na área da educação. Não era uma professora acomodada, sempre que tinha disponibilidade de tempo participava de cursos, encontros, seminários ou congressos relacionados à educação. Porém continuava faltando a graduação, então surgiu a oportunidade de ingressar em um curso a distância e assim iniciou um processo de transformação. A mudança começou com o que eu pensava de um curso a distância, quanto ao tempo que deveria dispor para os estudos. Precisei aprender a gerenciar o meu tempo, no início não foi fácil, pois ainda precisava me apropriar do uso das tecnologias.
Hoje após quatro anos e seis meses de curso, percebo o quanto aprendi e como mudou a minha atuação na escola. Ao me posicionar em relação aos assuntos referentes a educação tenho embasamento teórico que dão sustentação a argumentação que faço enquanto no passado agia e me posicionava por “achismos”.
       Em relação ao fazer pedagógico também ouve uma grande evolução, pois procuro ser uma educadora que motiva e desafia seus alunos a reflexão crítica dos fatos.
Passeata,onde os alunos
mostram seus trabalhos
para a comunidade
       Na prática aplicada no estágio fiz uso das mídias da educação com propriedade, sabendo que objetivos queria atingir e não mais algo que acabasse como uma atividade rotineira e sem sentido para todos. O planejamento das aulas com o uso das mídias foi um fator importante para a alfabetização dos alunos da EJA séries iniciais. No caso a alfabetização destes alunos precisa ser contextualizada para motivá-los..” Quando entro em uma sala de aula devo estar aberto a indagações,à curiosidade,às perguntas dos alunos, a suas inibições; um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho – a de ensinar e não a de transferir conhecimento “ (FREIRE, 2002.p.52).”
Também precisamos ter consciência de que a alfabetização não se restringe ao ato de decodificar códigos, mas de proporcionar o conhecimento sobre si e sobre o mundo,tornando os alunos cidadãos participativos com capacidade de avaliar os acontecimentos sociais criticamente e melhorar o meio onde vivem. Através do curso de Pedagogia me transformei em uma professora mediadora que problematiza e oportuniza um aprendizado que melhora a capacitação não ficando atrelada aos seus limites.

Freire foi um educador que sempre tive como mestre e no curso pude contar com seus ensinamentos do início ao fim. Pensando em Freire é que afirmo que não acabo aqui os estudos, pois precisamos estar sempre nos atualizando e abertos para uma auto-avaliação crítica de nossa atuação como educadores.

FREIRE(2002 p.126) “Se a educação não pode tudo, alguma coisa fundamental a educação pode. Se a educação não é a chave das transformações sociais, não é também simplesmente reprodutora da ideologia do dominante.”

quarta-feira, dezembro 08, 2010

VI semestre com interdisciplinas importantíssimas,não poderia ficar sem comentá-las

Retomar o VI semestre que teve as interdisciplinas:Seminário Integrador VI,Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais,Filosofia da Educação,Questões Ético-raciais na Educação, História e Sociologia,Desenvolvimento e Aprendizagem sob o enfoque da Psicologia II. Todas muito importantes para a nossa formação.As interdisciplinas estiveram interligadas, abordando assuntos relacionados ao respeito às diferenças, a inclusão, preconceito, auto-estima, princípios morais e ética,


promoveram fóruns , onde tivemos a oportunidade de debatermos conceitos polêmicos,como a inclusão,as questões étnicas e raciais. Assuntos que nos obrigavam buscar subsídios em textos e até consultas com especialistas para podermos refletir e debater. Foi um semestre de muita interação, pois nos possibilitou conhecer não só a teoria, mas também entender o posicionamento de alguns colegas de

 trabalho e de estudo. Foi um semestre em que tivemos a oportunidade de vivenciar a diversidade, respeitando a opinião do colega e interagir acrescentando conhecimento. No meu caso que vivencio a questão da inclusão, por ter um filho com necessidades especiais os meus relatos de experiência ,acredito, trouxeram uma nova visão do que é ou pode ser de fato uma inclusão de portadores de necessidades especiais em sala de aula.


Eu vejo a escola com uma grande diversidade de pensamentos e convicções que nem sempre estamos preparados para enfrentar, muitas vezes nos deparando com conflitos de crenças e culturas variadas.Lembro-me de um caso que a criança tinha convulsões e mãe se negava tratar com médicos ,mas levava no centro espírita,por que acreditava que sua filha recebia "entidades". Também ficamos sabendo de casos de portadores de necessidade especial que os responsáveis não levam para escola por que acreditam que não eles não irão aprender.Por isso , devemos deixar claro que uma necessidade especial pode ser marcada pela perda de uma das funções do ser humano, seja ela física, psicológica ou sensorial, mas isto não o torna incapaz,sua acessibilidade a educação de inclusão pode ser minimizada quando criamos meios que possibilitem acessos à escola, seja físico ou de atendimento contextualizado. Como já relatei em outras oportunidades,meu filho mantém atendimento com especialistas, que quando necessário entram em contato com a escola, seja para orientações quanto a avaliação ou para dar sugestões de como lidar com situações que possam surgir no decorrer do ano letivo. Este caso é uma exceção, pois a realidade nos mostra que a maioria dos pais de nossos alunos não tem acesso aos atendimentos especializados. O meu filho devido a paralisia cerebral, que é uma lesão não evolutiva,mas com comprometimento múltiplo,quer dizer sequelas na área cognitiva,sensorial, auditiva e psicossocial,tem atendimento especializado desde o primeiro mês de vida,( quase todos particulares),teve grande progresso em todas as áreas,porém tem tempos em que ele fica estagnado,não avança e é preciso respeitar este tempo,pois é o tempo dele. Na escola encontraremos crianças com diferentes diagnósticos e é muito importante o professor estar informado, para saber como proceder com esses alunos. Precisamos reivindicar uma formação continuada, pois só assim poderemos atender como devemos essas crianças, já que o estado não garante os profissionais especializados como prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional-1996 no capítulo V Art.59. III -professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores de ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. Esta lei prevê a necessidade de novos objetivos escolares, reestruturando e adequando todo o sistema educacional, inclusive a formação de educadores e auxiliares, que são os responsáveis diretos no processo da aprendizagem.

A mudança conceitual implica em várias resoluções que devem se dar ao longo do tempo assegurando os direitos à inclusão do portador de necessidades especiais no ensino regular.As escolas, na minha visão estão buscando apoio e respaldo para readequação

Aas escolas, do universo escolar (incluindo capacitação de educadores, administradores escolares e infra-estrutura física), e embora a Lei seja de 1996, este processo está ainda no início, no meu ponto de vista deve o melhor caminho para se alcançar esse objetivo é a orientação e acompanhamento de uma equipe multidisciplinar na escola, como Psicopedagogos, Psicólogos, Fonoaudiólogos, Terapeutas-Ocupacionais e Fisioterapeutas .

domingo, novembro 28, 2010

Ainda comentando o VIII Semestre e a Interdisciplina EJA do VII Semestre

O Plano Nacional de Educação prioriza o ensino fundamental e todos os que não tiveram acesso em idade própria para concluírem seus estudos nas séries iniciais. A erradicação do analfabetismo faz parte dessa prioridade, sendo a educação de jovens e adultos o ponto de partida para cumprir essa meta do PNE. A alfabetização é entendida no sentido amplo do domínio dos instrumentos básico da cultura letrada, das operações matemáticas elementares, da evolução histórica da sociedade humana, da diversidade do espaço físico e político mundial da constituição brasileira. Envolve, ainda, a formação do cidadão responsável e consciente de seus direitos. (Plano Nacional de Educação). O jovem e o adulto que retornam a escola querem ver a aplicação imediata do que estão aprendendo e, ao mesmo tempo, precisam ser estimulados para resgatarem a sua auto-estima. Esses jovens e adultos são tão capazes como as crianças. Por isso na alfabetização de jovens e adultos é necessário uma conscientização do educador de seu aluno, adulto, é capaz. Torna-se imprescindível destacar o conhecimento que esses alunos já possuem e assim provocar neles o interesse por continuarem aprendendo. O educador precisa acreditar no educando, na sua capacidade de aprender, de descobrir, de criar soluções, de desafiar, de enfrentar, de propor, de escolher e de assumir as conseqüências de sua escolha. Acreditando nestas idéias foi que planejei minhas aulas durante a prática na EJA séries iniciais. Procurei valorizar o conhecimento de cada aluno ressaltando a importância do trabalho deles para a sociedade em que vivemos, reconhecendo o valor da cultura e das suas experiências fortaleceu a identidade deles. Também puderam perceber que a identidade das pessoas é dinâmica, pois nos transformamos durante as fases da nossa vida. Para trabalhar esses objetivos trouxe para a sala a história de vida de Tarsila do Amaral, onde os alunos puderam construir a linha de tempo da pintora através de suas obras e logo após cada um construiu a sua própria linha de tempo, resgatando assim a sua própria história.


No curso estudamos alguns autores, como Vygotsky (1993), Köhl de Oliveira (1983) entre outros, que nos dizem que adolescentes e adultos diferem das crianças no processo de aprender, não pelo modo como compreendem o objeto do conhecimento, mas pelo modo como suas mentes trabalham para alcançá-lo. Diante de um problema cuja exigência seja operar com conceitos, uma criança e um adulto podem abordá-lo do mesmo modo, mas suas tentativas de resolução do problema são completamente diferentes. Quando trabalhamos com sujeitos jovens e adultos precisamos ter ciência que, embora estes sujeitos aparentemente interajam no processo de ensino-aprendizagem de forma semelhante à das crianças, eles já desenvolveram modos próprios de elaboração e de lidar com o real, mesmo na ausência da linguagem escrita e de conhecimentos sistematizados. Assim temos em aula alunos que lidam com cálculos mentais no seu trabalho, como na construção civil, vendedores ambulantes entre outros ofícios, mas que não conseguem resolver uma operação sistematizada no caderno em sala de aula.

É na escola que o sujeito, ao interagir com os conhecimentos das diferentes áreas, aprende a se relacionar com o conhecimento que para ele é novo, a refletir com e sobre a organização desse saber em um sistema conceitual, instrumentalizando-o para o modo intelectual típico da sociedade letrada. Segundo Oliveira(1992),“Talvez a escola seja o protótipo da instituição social que, no âmbito da sociedade letrada, ensina o homem a transcender seu contexto e a transitar pelas dimensões do espaço, do tempo e das operações com o próprio conhecimento”.

Ensinar com significação é muito mais importante do que cumprir um conteúdo planejado, quanto mais significativo for o que está sendo ensinado, mais o aluno se põe em movimento, se mobiliza para se relacionar com aquele conteúdo. Diante deste aprendizado planejei aulas que fossem significativas, onde travava de receitas de culinária,ofertas de emprego e de serviços, segurança no trabalho, direitos e deveres do trabalhador, documentos mais importantes para o cidadão,foram alguns assuntos tratados em aula. Com meus alunos aprendi, pois todos tinham muitas histórias de superação e luta pela sobrevivência.

(...) um saber só tem sentido e valor por referência às relações que supõe e produz com o mundo, consigo, com os outros. Os alunos para quem o saber tem ao que parece, “um sentido e um valor como tal”, são os que conferem um sentido e um valor ao saber-objeto sob sua forma substancializada; o que supõe relações de um tipo particular com o mundo consigo e com os outros. (CHARLOT, 2000, p. 64).

domingo, novembro 21, 2010

Comentando o VIII Semestre.

No oitavo semestre estava realizando o estágio com uma turma de EJA séries iniciais. Entre todas as atividades que realizei em conjunto com os alunos destaco a criação do blog da turma, onde inicialmente cada um deveria fazer uma auto apresentação “quem sou eu?”
Para chegar no blog da turma tive um longo caminho, que teve início juntamente com o curso de Pedagogia a distância. Antes nem cogitava usar o computador com os alunos, muito menos criar uma página na internet em que eles fariam suas postagens. O uso do computador e das mídias em sala de aula foi amadurecendo ao longo deste período, com a prática fui aprendendo como usar de maneira adequada tanto para mim quanto para com os alunos.
Com a criação do blog e o registro dos alunos de como se percebem no mundo, entendo que dei sentido as palavras de Freire em seu livro Pedagogia do Oprimido, “aprender a escrever a sua vida, como autor e como testemunha de sua história, isto é, biografar-se, existenciar-se e historizar-se. Alfabetizar é conscientizar”.(FREIRE,1987)
Teve alunos que se mostraram resistentes ao uso do computador e a inclusão de sua imagem na internet, mas ao perceberem que seus colegas estavam entusiasmados foram aos poucos cedendo e também iniciaram as postagens no blog. Até um aluno que ainda não conseguia escrever sozinho arrumou um colega para auxiliá-lo na postagem.
Posso afirmar que aprendemos muito durante o estágio, tanto os alunos como eu, pois passei a respeitar o conhecimento de meus alunos de maneira que usei este conhecimento como forma de estimulá-los na busca de novos conhecimentos, desenvolvendo neles a autonomia e o comprometimento com o trabalho em sala de aula.
“ A alfabetização que serve aos mais pobres é aquela que dá força a capacidade de aprender dos alfabetizandos, que usa a língua escrita para a reflexão da realidade e para o dês-velamento do que ainda não é do conhecimento deles.” (FREIRE, in Barreto, 1998,p.20)
Esta fala de Freire retrata bem o sentido da alfabetização de adultos, pois não consigo entender outra forma de trabalhar com esses alunos, que retornam aos bancos escolares após longos anos de muito trabalho e salários indignos, por não serem alfabetizados, geralmente possuem os menores salários. Essas pessoas precisam ser convencidas de que podem aprender e a cooperação entre eles é um meio de promover a interação entre todos os envolvidos na aprendizagem. As atividades realizadas pelos alunos não visavam o certo ou o errado, mas tinham o objetivo de mostrar o caminho para que eu pudesse intervir em favor da construção do conhecimento deles.

segunda-feira, novembro 15, 2010

VII Semestre,comentando sobre a interdisciplina de Linguagem.

Após o Seminário de 40 anos da FACED entendendo melhor Letramento e Alfabetização.
Esta semana estive participando do Seminário 40 anos FACED. A Faculdade de Educação da UFRGS (FACED) celebrou os seus 40 anos de fundação com a realização do seminário nos dias 11 e 12 de novembro, no Salão de Atos da universidade, com o tema “Dilemas Contemporâneos da Educação Escolar”. A programação teve mesas temáticas para debater problemas, desafios e propostas na educação escolar atual. Eu pude relembrar muitos assuntos que tratamos durante nosso curso de pedagogia, entre eles a questão de alfabetizar e letrar, no caso no seminário ouvimos o professor Artur Gomes de Morais que afirma ser de obrigação da escola ajudar a criança a se apropriar da escrita alfabética e automatizar seu uso. Defende que, ao assumir essa tarefa de alfabetizar, não devemos deixar o aluno viver sozinho seus esforços para entender “por que coisas que se falam de forma parecida tendem a ser escritas de modo parecido”. Ele sugere uma reflexão sobre as palavras extraídas de textos lidos (além de outras que já são significativas para os aprendizes). Nesses momentos, ainda que as crianças não saibam ler sozinhas e convencionalmente, poderão ir se apropriando de estratégias de leitura (como as estratégias de antecipação, de checagem de hipóteses, de comparação, etc.) usadas por um cidadão letrado. Os alunos explorando e produzindo textos (notados pela professora ou por outra pessoa já “alfabetizada”),estarão desenvolvendo conhecimentos sobre a linguagem que se usa em cada um dos textos que circulam numa sociedade letrada e sobre as finalidades a que se prestam. Segundo o professor “alfabetizar letrando” requer: (a) democratizar a vivência de práticas de uso da leitura e da escrita; (b) ajudar o aluno a, ativamente, reconstruir essa invenção social que é a escrita alfabética. Ele também não vê nenhum mal em iniciar com as letras na educação infantil.
Na interdisciplina de Linguagem e Educação, foi preciso primeiro conceituar o que é alfabetizar e o que é letramento.foi com o auxílio das leituras desta disciplina que comecei conceituando letramento como um conjunto de práticas sociais que temos através da aprendizagem informal, onde não precisamos ir à escola para aprender. Por exemplo, pessoas que não sabem ler e escrever e convivem com a leitura e escrita: o pedreiro que constrói casas, o feirante que cuida do seu negócio, a dona de casa que pega ônibus vai de uma cidade à outra sem se perder , alguém que dita uma carta para outra pessoa escrever, a criança que mesmo sem saber ler ouve e finge ler histórias nos livrinhos infantis... Neste contexto preciso dizer que vejo a escola mais preocupada em alfabetizar seus alunos, isto é ensinar os códigos da escrita, onde o professor vê o aluno como alguém que nada sabe. O aluno no seu dia a dia é bombardeado por inúmeras informações visuais e sonoras, onde constrói a sua linguagem, mas não é valorizado pelo professor que tudo quer ensinar.
“Ensina-se as crianças a desenhar letras e construir palavras com elas, mas não se ensina a linguagem da escrita.” Vygostski(1991,p119).

Neste contexto percebo que a escola prioriza o conhecimento formal, em muitos casos desprezando o conhecimento anterior à escola. É o caso dos alunos EJA alfabetização, que muitas vezes são infantilizados. Devemos lembrar de Freire, pois para ele educar não é uma doação de conhecimentos do professor ao educando, nem transmissão de idéias, mesmo que estas sejam boas. Ao contrário é uma contribuição no processo de humanização. Para o aluno ser considerado alfabetizado ele precisa escrever, ler e entender um texto. Entendo que a escola, em algumas situações não tem se preocupado em ajudar o aluno a compreender os códigos da escrita como forma de entender e mudar o contexto social em que vive, mas se os educadores continuarem investindo no próprio aperfeiçoamento como participar de cursos seminários e atualização, poderão ter uma nova visão de como alfabetizar e letrar, fazendo uso da bagagem que os alunos trazem consigo, relacionando estas experiências com a escrita. Assim o cidadão poderá se formar mais consciente e crítico, pois se sentirá valorizado culturalmente. Fiz meu estágio na EJA e percebi que trabalhar com jovens e adultos requer uma sensibilidade aguçada para perceber suas angustias, carências e medos e assim de forma dinâmica tentar estimular essas pessoas a enfrentarem os obstáculos da aprendizagem. O aluno EJA tem uma riqueza de experiências que podem ser incorporadas ao trabalho pedagógico em sala de aula e é isso fiz em meu estágio, usei listas de compras, embalagens, classificados, receitas,letra de música, enfim tentei partir do que conheciam para depois sistematizar a escrita. Outro fator que ajuda muito o aluno da EJA é trabalhar em grupo.Eles trocam informações entre si sobre as hipóteses de escrita facilitando a aprendizagem.
Como já mencionei, procurei partir do que conheciam para ir além. Durante o estágio aconteceu a copa de futebol e esse também foi um assunto que trabalhamos em aula .No link abaixo é possível conferir como foi esta atividade.http://marivaniestagio.pbworks.com/w/page/27213508/REFLEXÃO%20-DÉCIMA%20SEMANA

segunda-feira, novembro 08, 2010

Amadurecendo profissionalmente .

No VII semestre tivemos as interdisciplinas: Seminário Integrador;Didática – Planejamento e Avaliação; Linguagem e Educação; Educação de Jovens e Adultos e Educação e Libras. Neste semestre entramos em contato com conceitos muito importantes para a educação na atualidade. Foram assuntos que fizeram com refletíssemos sobre a forma de ensinar e em uma das minhas postagens eu coloco isto, relacionando o que estávamos aprendendo no Seminário Integrador (PA) com a atividade que as crianças ficam mais motivadas.
http://marivanikirsch.blogspot.com/2009/09/as-criancas-gostam-de-aprender.html
Retomando a didática percebi que passei a pensar no planejamento de forma que indicasse para que ? e como? seria aplicado determinado conteúdo , fazendo com que o conteúdo tivesse um significado para o aluno, por isso a contextualização da turma é importante na hora de planejar, isto ficou evidenciado na minha postagem. http://marivanikirsch.blogspot.com/2009/11/contextualizacao-do-planejamento.html
Foi a partir de uma prática com a turma do EJA que me posicionei mais firme em favor da educação libertadora de Freire. A proposta de Paulo Freire que tem uma preocupação com ser humano. Ele procurava contextualizar os alunos nos seus aspectos históricos, políticos, econômicos e sociais. Com esta prática enxergava a educação fora dos muros da sala de aula tradicional, percebia o aluno enquanto sujeito histórico e transformador dentro de sua realidade social, onde se participa da desta sociedade como agente e não somente como espectador das transformações.
“Uma das tarefas mais importantes da prática educativo-crítica é propiciar as condições em que os educandos em suas relações uns com os outros e todos com o professor ou com a professora ensaiam a experiência profunda de assumir-se. Assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque capaz de amar. Assumir-se como sujeito porque capaz de reconhecer-se como objeto” (FREIRE,1997, p.46).
A interdisciplina de LIBRAS mostrou-nos a importância de sabermos a língua de sinais, para podermos estar atualizadas com a inclusão em sala de aula, pois do contrário como vamos receber estes alunos que possuem outra forma de se comunicar se não falamos a língua que eles conhecem?
É imprescindível que se tenha conhecimento do processo de ensino-aprendizagem dos surdos e a compreensão da cultura deles, para incluí-los em sala de aula. Desta forma não serão apontados como deficientes, mas respeitados através de sua cultura.
As leis se repetem dando o direitos a todos iguais,mas a situação que presenciamos não é bem esta. Veja a postagem de outubro de 2009. http://www.blogger.com/goog_1831671672
Após rever esta postagem percebo que as palavras de Freire fazem sentido, no contexto dos alunos surdos que evadem por a escola não estar preparada para recebê-los.Segundo Freire (1997, p. 11), o termo evasão escolar é ideológico, pois é posto de uma forma a dar a entender que as crianças estão fora da escola por vontade delas, mas na verdade elas são expulsas da escola, excluídas especialmente pela organização bancária. O termo correto é "expulsão escolar" (FREIRE, 1995, p. 46). Isso está relacionado ao despreparo dos educadores e a educação atrelada à ideologia tradicional que alfabetiza não a partir da realidade do educando. Expulsar uma criança da escola é condená-la ao silêncio, se não tem como ler e escrever ou os faz de forma precária, não conseguirá manter relações verdadeiras e de interesse em uma sociedade que existe pela palavra, dependerá de idéias e temas externos, e assim não conseguirá conquistar a própria autonomia.
Sinto que as interdisciplinas do sétimo semestre tiveram grande responsabilidade na minha mudança de postura como educadora que atende os alunos EJA,pois mesmo não tendo uma turma de regência eu os atendo com um outro olhar tentando sempre contextualizá-lo antes de tomar uma decisão, quanto aos seus pedidos,(entrar fora do horário, entregar trabalhos antes ou depois do prazo,sair mais cedo em função do ônibus,pedir ao professor que tenha mais calma na hora da explicação do conteúdo, entre tantos pedidos que fazem). A minha função é auxiliar a direção e a supervisão, estou na escola todas as noites, por isso tenho mais contato com os alunos.