segunda-feira, novembro 15, 2010

VII Semestre,comentando sobre a interdisciplina de Linguagem.

Após o Seminário de 40 anos da FACED entendendo melhor Letramento e Alfabetização.
Esta semana estive participando do Seminário 40 anos FACED. A Faculdade de Educação da UFRGS (FACED) celebrou os seus 40 anos de fundação com a realização do seminário nos dias 11 e 12 de novembro, no Salão de Atos da universidade, com o tema “Dilemas Contemporâneos da Educação Escolar”. A programação teve mesas temáticas para debater problemas, desafios e propostas na educação escolar atual. Eu pude relembrar muitos assuntos que tratamos durante nosso curso de pedagogia, entre eles a questão de alfabetizar e letrar, no caso no seminário ouvimos o professor Artur Gomes de Morais que afirma ser de obrigação da escola ajudar a criança a se apropriar da escrita alfabética e automatizar seu uso. Defende que, ao assumir essa tarefa de alfabetizar, não devemos deixar o aluno viver sozinho seus esforços para entender “por que coisas que se falam de forma parecida tendem a ser escritas de modo parecido”. Ele sugere uma reflexão sobre as palavras extraídas de textos lidos (além de outras que já são significativas para os aprendizes). Nesses momentos, ainda que as crianças não saibam ler sozinhas e convencionalmente, poderão ir se apropriando de estratégias de leitura (como as estratégias de antecipação, de checagem de hipóteses, de comparação, etc.) usadas por um cidadão letrado. Os alunos explorando e produzindo textos (notados pela professora ou por outra pessoa já “alfabetizada”),estarão desenvolvendo conhecimentos sobre a linguagem que se usa em cada um dos textos que circulam numa sociedade letrada e sobre as finalidades a que se prestam. Segundo o professor “alfabetizar letrando” requer: (a) democratizar a vivência de práticas de uso da leitura e da escrita; (b) ajudar o aluno a, ativamente, reconstruir essa invenção social que é a escrita alfabética. Ele também não vê nenhum mal em iniciar com as letras na educação infantil.
Na interdisciplina de Linguagem e Educação, foi preciso primeiro conceituar o que é alfabetizar e o que é letramento.foi com o auxílio das leituras desta disciplina que comecei conceituando letramento como um conjunto de práticas sociais que temos através da aprendizagem informal, onde não precisamos ir à escola para aprender. Por exemplo, pessoas que não sabem ler e escrever e convivem com a leitura e escrita: o pedreiro que constrói casas, o feirante que cuida do seu negócio, a dona de casa que pega ônibus vai de uma cidade à outra sem se perder , alguém que dita uma carta para outra pessoa escrever, a criança que mesmo sem saber ler ouve e finge ler histórias nos livrinhos infantis... Neste contexto preciso dizer que vejo a escola mais preocupada em alfabetizar seus alunos, isto é ensinar os códigos da escrita, onde o professor vê o aluno como alguém que nada sabe. O aluno no seu dia a dia é bombardeado por inúmeras informações visuais e sonoras, onde constrói a sua linguagem, mas não é valorizado pelo professor que tudo quer ensinar.
“Ensina-se as crianças a desenhar letras e construir palavras com elas, mas não se ensina a linguagem da escrita.” Vygostski(1991,p119).

Neste contexto percebo que a escola prioriza o conhecimento formal, em muitos casos desprezando o conhecimento anterior à escola. É o caso dos alunos EJA alfabetização, que muitas vezes são infantilizados. Devemos lembrar de Freire, pois para ele educar não é uma doação de conhecimentos do professor ao educando, nem transmissão de idéias, mesmo que estas sejam boas. Ao contrário é uma contribuição no processo de humanização. Para o aluno ser considerado alfabetizado ele precisa escrever, ler e entender um texto. Entendo que a escola, em algumas situações não tem se preocupado em ajudar o aluno a compreender os códigos da escrita como forma de entender e mudar o contexto social em que vive, mas se os educadores continuarem investindo no próprio aperfeiçoamento como participar de cursos seminários e atualização, poderão ter uma nova visão de como alfabetizar e letrar, fazendo uso da bagagem que os alunos trazem consigo, relacionando estas experiências com a escrita. Assim o cidadão poderá se formar mais consciente e crítico, pois se sentirá valorizado culturalmente. Fiz meu estágio na EJA e percebi que trabalhar com jovens e adultos requer uma sensibilidade aguçada para perceber suas angustias, carências e medos e assim de forma dinâmica tentar estimular essas pessoas a enfrentarem os obstáculos da aprendizagem. O aluno EJA tem uma riqueza de experiências que podem ser incorporadas ao trabalho pedagógico em sala de aula e é isso fiz em meu estágio, usei listas de compras, embalagens, classificados, receitas,letra de música, enfim tentei partir do que conheciam para depois sistematizar a escrita. Outro fator que ajuda muito o aluno da EJA é trabalhar em grupo.Eles trocam informações entre si sobre as hipóteses de escrita facilitando a aprendizagem.
Como já mencionei, procurei partir do que conheciam para ir além. Durante o estágio aconteceu a copa de futebol e esse também foi um assunto que trabalhamos em aula .No link abaixo é possível conferir como foi esta atividade.http://marivaniestagio.pbworks.com/w/page/27213508/REFLEXÃO%20-DÉCIMA%20SEMANA

Um comentário:

Grace Milcharek disse...

Muito bom Marivani, tuas aprendizagens a partir de atualizações e estudos teóricos proporcionaram novas práticas pedagógicas e te auxiliaram no desenvolvimento do estágio. Os links e as fotos ficaram ótimos, pois enriquecem a postagem e cativa o leitor.
Com carinho,
Grace Maria