domingo, novembro 28, 2010

Ainda comentando o VIII Semestre e a Interdisciplina EJA do VII Semestre

O Plano Nacional de Educação prioriza o ensino fundamental e todos os que não tiveram acesso em idade própria para concluírem seus estudos nas séries iniciais. A erradicação do analfabetismo faz parte dessa prioridade, sendo a educação de jovens e adultos o ponto de partida para cumprir essa meta do PNE. A alfabetização é entendida no sentido amplo do domínio dos instrumentos básico da cultura letrada, das operações matemáticas elementares, da evolução histórica da sociedade humana, da diversidade do espaço físico e político mundial da constituição brasileira. Envolve, ainda, a formação do cidadão responsável e consciente de seus direitos. (Plano Nacional de Educação). O jovem e o adulto que retornam a escola querem ver a aplicação imediata do que estão aprendendo e, ao mesmo tempo, precisam ser estimulados para resgatarem a sua auto-estima. Esses jovens e adultos são tão capazes como as crianças. Por isso na alfabetização de jovens e adultos é necessário uma conscientização do educador de seu aluno, adulto, é capaz. Torna-se imprescindível destacar o conhecimento que esses alunos já possuem e assim provocar neles o interesse por continuarem aprendendo. O educador precisa acreditar no educando, na sua capacidade de aprender, de descobrir, de criar soluções, de desafiar, de enfrentar, de propor, de escolher e de assumir as conseqüências de sua escolha. Acreditando nestas idéias foi que planejei minhas aulas durante a prática na EJA séries iniciais. Procurei valorizar o conhecimento de cada aluno ressaltando a importância do trabalho deles para a sociedade em que vivemos, reconhecendo o valor da cultura e das suas experiências fortaleceu a identidade deles. Também puderam perceber que a identidade das pessoas é dinâmica, pois nos transformamos durante as fases da nossa vida. Para trabalhar esses objetivos trouxe para a sala a história de vida de Tarsila do Amaral, onde os alunos puderam construir a linha de tempo da pintora através de suas obras e logo após cada um construiu a sua própria linha de tempo, resgatando assim a sua própria história.


No curso estudamos alguns autores, como Vygotsky (1993), Köhl de Oliveira (1983) entre outros, que nos dizem que adolescentes e adultos diferem das crianças no processo de aprender, não pelo modo como compreendem o objeto do conhecimento, mas pelo modo como suas mentes trabalham para alcançá-lo. Diante de um problema cuja exigência seja operar com conceitos, uma criança e um adulto podem abordá-lo do mesmo modo, mas suas tentativas de resolução do problema são completamente diferentes. Quando trabalhamos com sujeitos jovens e adultos precisamos ter ciência que, embora estes sujeitos aparentemente interajam no processo de ensino-aprendizagem de forma semelhante à das crianças, eles já desenvolveram modos próprios de elaboração e de lidar com o real, mesmo na ausência da linguagem escrita e de conhecimentos sistematizados. Assim temos em aula alunos que lidam com cálculos mentais no seu trabalho, como na construção civil, vendedores ambulantes entre outros ofícios, mas que não conseguem resolver uma operação sistematizada no caderno em sala de aula.

É na escola que o sujeito, ao interagir com os conhecimentos das diferentes áreas, aprende a se relacionar com o conhecimento que para ele é novo, a refletir com e sobre a organização desse saber em um sistema conceitual, instrumentalizando-o para o modo intelectual típico da sociedade letrada. Segundo Oliveira(1992),“Talvez a escola seja o protótipo da instituição social que, no âmbito da sociedade letrada, ensina o homem a transcender seu contexto e a transitar pelas dimensões do espaço, do tempo e das operações com o próprio conhecimento”.

Ensinar com significação é muito mais importante do que cumprir um conteúdo planejado, quanto mais significativo for o que está sendo ensinado, mais o aluno se põe em movimento, se mobiliza para se relacionar com aquele conteúdo. Diante deste aprendizado planejei aulas que fossem significativas, onde travava de receitas de culinária,ofertas de emprego e de serviços, segurança no trabalho, direitos e deveres do trabalhador, documentos mais importantes para o cidadão,foram alguns assuntos tratados em aula. Com meus alunos aprendi, pois todos tinham muitas histórias de superação e luta pela sobrevivência.

(...) um saber só tem sentido e valor por referência às relações que supõe e produz com o mundo, consigo, com os outros. Os alunos para quem o saber tem ao que parece, “um sentido e um valor como tal”, são os que conferem um sentido e um valor ao saber-objeto sob sua forma substancializada; o que supõe relações de um tipo particular com o mundo consigo e com os outros. (CHARLOT, 2000, p. 64).

Um comentário:

profmari disse...

Não fiz link e nem inclui fotos, pois quando tentei no domingo desconfigurou todo o texto após ter trancado o blog. Acho que é problema com antivírus que foi instalado.