No oitavo semestre estava realizando o estágio com uma turma de EJA séries iniciais. Entre todas as atividades que realizei em conjunto com os alunos destaco a criação do blog da turma, onde inicialmente cada um deveria fazer uma auto apresentação “quem sou eu?”
Para chegar no blog da turma tive um longo caminho, que teve início juntamente com o curso de Pedagogia a distância. Antes nem cogitava usar o computador com os alunos, muito menos criar uma página na internet em que eles fariam suas postagens. O uso do computador e das mídias em sala de aula foi amadurecendo ao longo deste período, com a prática fui aprendendo como usar de maneira adequada tanto para mim quanto para com os alunos.
Com a criação do blog e o registro dos alunos de como se percebem no mundo, entendo que dei sentido as palavras de Freire em seu livro Pedagogia do Oprimido, “aprender a escrever a sua vida, como autor e como testemunha de sua história, isto é, biografar-se, existenciar-se e historizar-se. Alfabetizar é conscientizar”.(FREIRE,1987)
Teve alunos que se mostraram resistentes ao uso do computador e a inclusão de sua imagem na internet, mas ao perceberem que seus colegas estavam entusiasmados foram aos poucos cedendo e também iniciaram as postagens no blog. Até um aluno que ainda não conseguia escrever sozinho arrumou um colega para auxiliá-lo na postagem.
Posso afirmar que aprendemos muito durante o estágio, tanto os alunos como eu, pois passei a respeitar o conhecimento de meus alunos de maneira que usei este conhecimento como forma de estimulá-los na busca de novos conhecimentos, desenvolvendo neles a autonomia e o comprometimento com o trabalho em sala de aula.
“ A alfabetização que serve aos mais pobres é aquela que dá força a capacidade de aprender dos alfabetizandos, que usa a língua escrita para a reflexão da realidade e para o dês-velamento do que ainda não é do conhecimento deles.” (FREIRE, in Barreto, 1998,p.20)
Esta fala de Freire retrata bem o sentido da alfabetização de adultos, pois não consigo entender outra forma de trabalhar com esses alunos, que retornam aos bancos escolares após longos anos de muito trabalho e salários indignos, por não serem alfabetizados, geralmente possuem os menores salários. Essas pessoas precisam ser convencidas de que podem aprender e a cooperação entre eles é um meio de promover a interação entre todos os envolvidos na aprendizagem. As atividades realizadas pelos alunos não visavam o certo ou o errado, mas tinham o objetivo de mostrar o caminho para que eu pudesse intervir em favor da construção do conhecimento deles.
Um comentário:
Ótimas reflexões Marivani, tua postagem evidencia de maneira mais madura o teu fazer pedagógico no momento do estágio. Foram aprendizagens que se somaram à trajetória do PEAD e hoje no estágio são os teus alunos que ganham a partir do novo olhar da tua prática docente.
Parabéns pelo trabalho.
Com carinho,
Grace Maria
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