“Quando só os interlocutores falam de coisas diferentes, o diálogo é possível. Quando só os mestres têm o que falar, não passa de um monólogo. Os jovens e adultos carregam as condições de pensar sua educação como um diálogo. Se toda educação exige uma deferência pelos interlocutores , mestres e alunos(as), quando esses interlocutores são jovens e adultos carregados de tensas vivências essa deferência deverá ter um significado educativo especial”
(ARROYO,2005.p.35)
Nas minhas aulas tenho tentado resgatar a motivação dos alunos em participarem das atividades escolares e foi através dos relatos de cada um sobre sua linha de tempo onde percebi que ao relatarem suas histórias resgataram seu passado e os motivos que levaram a abandonar os estudos na idade escolar. Alguns chegaram a contar em aula fatos que seus filhos desconhecem, então diante destes relatos compreendi que não éramos mais, somente alunos e professora,passamos a ser sujeitos dispostos à troca de experiências e aprendizagens.
"Não há prática educativa sem objetivos elaborados a partir de critérios que reflitam os valores e idéias da legislação, os conteúdos produzidos pela pratica social da humanidade e as necessidades e expectativas de formação cultural exigidas pela população majoritária da sociedade." (LIBÂNEO, 1994, p.11):
Como sugere Libâneo as aulas foram planejadas e possuiam objetivos claros a serem atingidos, mas mesmo assim no início do trabalho tivemos dificuldades e muita timidez,que pouco a pouco foi substituida pelos relatos das histórias de cada um e hoje os alunos estão mais integrados,solidários uns com os outros e engajados nas atividades de aula e da escola.
Outro fato que tem ajudado nesta integração é a formação de grupos de estudo em aula, pois uns tentam auxiliar os outros e todos passaram a ter consciência de que suas conquistas na aprendizagem dependem do esforço de cada um e da colaboração de todos. Acredito que foi preciso organizar e oferecer condições favoráveis à competência social e ao desenvolvimento moral, encorajando as interações, permitindo que os conflitos viessem à tona, e até explicitando-os e trazendo-os para discussão na turma, encorajando os intercâmbios e ajudas entre os alunos, auxiliando-as e mediando quando necessário, engajando-se ocasionalmente como companheiro dos alunos e facilitando a interação, otimizando, assim, o caráter interativo da sala de aula, numa autêntica experiência de conviver.
“A alfabetização que serve aos mais pobres é aquela que dá força a capacidade de aprender dos alfabetizandos, que usa a língua escrita para a reflexão da realidade e para o des -velamento do que ainda não é do conhecimento deles”
(FREIRE in Barreto,1998,p20)
Fonte:ARROYO, M.G. Educação de jovens e adultos: um campo de direito e de responsabilidade público. IN: SOARES, L. GIOVANETTI, M. A GOMES N.L. (org).LIBÂNEO, J..C. Tendências Pedagógicas e a Prática Escolar. In: Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo : Loyola, 1985. 2. ed. Cap. 1, p. 19-43.
LIBÂNEO, J..C. Tendências Pedagógicas e a Prática Escolar. In: Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo : Loyola, 1985. 2. ed. Cap. 1, p. 19-43.
BARRETO, Vera. Paulo Freire para educadores. São Paulo: Arte e Ciência,1998.p.20
Um comentário:
Marivani,estás muito bem!! O teu crescimento é visível. parece que destes uma amadurecida na tua teoria e isso está se traduzindo na tua ação. Será que o curso te ajudou para isso? Como agora esse novo posicionamento extravasou?
Um abração
Bea
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