“ Alfabetização é a aquisição da língua escrita, por um processo de construção do conhecimento, que se dá num contexto discursivo de interlocução e interação, através do desvelamento crítico da realidade, como uma das condições necessárias ao exercício da plena cidadania: exercer seus direitos e deveres frente à sociedade global.” (FREIRE, p. 59, 1996)
A assiduidade do aluno EJA tem se apresentado como uma “grande preocupação”, um “desafio”, um “problema” que dificulta e, por vezes até inviabiliza a aplicação do que foi planejado. Quando trago para a sala de aula esta preocupação as explicações dos alunos para as faltas são: trabalho, situação familiar, dificuldade de acesso por falta de dinheiro para o ônibus em dias de chuva, medo de ficarem doentes ao enfrentar a chuva e o frio.
Pesquisando sobre o assunto , verifiquei que os textos encontrados e até mesmo as respostas de colegas veteranos na EJA são unânimes de que é uma conseqüência da necessidade de trabalharem. Esta infrequência é tratada como algo normal, algo próprio da modalidade de educação de jovens e adultos, porque o trabalho tem que ser prioridade . Todos afirmam que é um problema para a continuidade da aprendizagem do aluno, se contradizendo, pois se prejudica o aprendizado não pode ser normal é preciso encontrar uma maneira de reverter esta situação tida como “normal”.Estou criando tentativas pedagógicas que possam reduzir o número de alunos evadidos ou infrequentes,mas não é nada fácil ao nos depararmos com as especificidades do aluno jovem/adulto e a relação aluno-escola que se estabelece. Introduzi os trabalhos em grupos, construímos junto um contrato didático, em que os alunos também percebem que a frequência é importante para sua aprendizagem, mas não podem dar prioridade aos estudos quando a família depende do trabalho deles para sobreviverem. Há muito que construir para que as aulas na EJA se transformem em ensino de qualidade. Programas, projetos pedagógicos, metodologias e material didático precisam ter um novo olhar e uma nova prática em que o objetivo maior se volte para a formação daqueles que já foram excluídos deste contexto em outro momento e que agora retornam.
"É a criação histórica que implica decisão, vontade política, mobilização, organização de cada grupo cultural com vistas a fins comuns. Que demanda uma nova ética fundada no respeito as diferenças"
(FREIRE,1997,p.157)
Um comentário:
Será que o furo não está no tipo de trabalho feito no EJA? Já pensastes que são pessoas com problemas reias de vida e que precisam de algo muito desafiador para se livrar deles e poder pensar em outra coisa. Além disso, tem o cansaço e a hora.De novo o novo é exigido não?
Um abração
Bea
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