Em minha turma de EJA tenho vários alunos, independente de sexo, que lidam com as tarefas do lar, por isso trabalhei com a pesquisa em embalagens dos produtos que consomem em suas casas. Primeiro pedi que durante uma semana juntassem todas as embalagens que usassem, depois em sala de aula os orientei em sua pesquisa, como procurar na embalagem o nome do produto,nome do fabricante, data de validade, data de fabricação,ingredientes ,quantidade do produto por embalagem...Desta maneira entendo que os alunos familiarizados com este tipo de escrita comprendem a mensagem escrita e passam a ver a leitura como algo essencial e natural ,pois tudoque esta a nossa voltapode ser lido.
Aprender a ler e escrever é um grande desafio para qualquer pessoa e para os nossos adultos da EJA é muito mais que alfabetizar-se é se tornar um ser atuante na sociedade em que vive. Muitas vezes, os alunos precisam parar e refletir um pouco sobre tudo o que está envolvido no processo da alfabetização, para prosseguirem. Eu tenho presenciado as dificuldades desses alunos no início do processo de aprendizagem da linguagem escrita e percebo que essas dificuldades podem ser grande, mesmo para os que apresentam um perfil normal de desenvolvimento cognitivo, agora imagine para os alunos com algum comprometimento neurológico, como é o caso de vários dos meus alunos. A minha aluna “G” esta lendo muito bem, mas ainda não encontrei uma forma para que ela consiga entender o que lê. Então fui atrás de respostas para poder ajudá-la. Nas leituras sobre o pensamento cognitivo dos teóricos Piagt e Vigotsky pudes compreender que os indivíduos aprendem de maneiras diferentes e em tempos diferentes, pois recebem influência do meio e de outros indivíduos. Assim percebi que estava um pouco ansiosa com a aprendizagem da aluna e passei a respeitar o seu tempo , mas não deixei de desafiá-la para que ela não se acomode.
"A invenção da escrita foi histórico de construção de um sistema de representação e não um processo de codificação".(FERREIRO,2001 p.12)
Segundo Emilia Ferreiro o conceito de alfabetização vem sofrendo mudanças, que ocorrem em função da necessidade que a sociedade impõe aos sujeitos sobre o domínio da leitura e da escrita. Esse domínio vem questionar se o indivíduo é ou não alfabetizado, desafiando esse indivíduo a questionar sua capacidade de codificar e decodificar, ou seja de alfabetizar-se.
Aprender é uma ação que requer esquemas de assimilação, num processo constante de reorganização do pensamento,que é fruto da atividade daquele que interage com o mundo, como é o caso do aluno da Educação de Jovens e Adultos, com suas dificuldades e limitações e é também o caso da aluna “G” que consegue ler mas ainda não construiu a maturidade para fazer a compreensão do texto lido. Percebo que a aluna vai compreendendo o processo da escrita fazendo-se muitas perguntas: O que eu vou escrever? Como vou escrever essa palavra,eu tive uma idéia como escrevo? Quais são as letras e como juntá-las para escrever? Ela vai buscando respostas para estas perguntas enquanto escreve e, assim, vai passando por etapas no conhecimento da escrita.
Através das leituras Emília Ferreiro e Ana Teberosky, entendi que a escrita é um produto cultural que vem antologicamente mediando as relações na nossa sociedade desde a era primitiva. Nessa época, o homem utilizava a escrita pictográfica. Porém, a escrita foi se desenvolvendo e hoje utilizamos a escrita alfabética , com a qual nos comunicamos. Desta forma nossos alunos também vão criando relãções da escrita com a realidade em vivem construindo a aprendizagem da escrita e da leitura primeiro no cotidiano para depois formalizar este conhecimento.
Por isso , o professor deverá compreender que a aprendizagem entre ele e seus alunos ocorre de maneira ininterrupta de mediação. É indispensável que o professor estimule a escrita espontânea dos alunos, visando construir seres sociais que reflitam e exponham suas idéias desenvolvendo conceitos que darão sustentabilidade durante a vida escolar e social. Desta forma eu tenho proposto temas do cotidiano para discussão em sala de aula, mas que após o debate devem fazer o registro. Precisamos esclarecer aos alunos a função prática da leitura e da escrita, a fim de que eles possam sentir essa falta, essa necessidade de aprender. Porém é necessário que seja dado condições para que o aluno desenvolva seu conhecimento, para que ele não se torne apenas um reprodutor de palavras, sem significados para o seu aprendizado. Por isso, ao se trabalhar com alfabetização, as primeiras atividades com linguagem devem promover, através da oralidade, o resgate da história e da vivência do aluno para depois paralelamente, executar tarefas com a escrita e a leitura, o aluno é inserido aos poucos, no mundo da escrita. Ao longo do curso compreendi que para o aluno aprender a ler é preciso colocá-lo em contato com a leitura e escrita, assim ele vai colhendo informações que vão auxiliá-lo a escrever no futuro.Tenho trabalhado com a leitura de diferentes tipos de textos onde buscamos informações em rótulos,classificados, encartes,panfletos... Acredito que meus alunos estão conquistando aos poucos a autonomia para ler e compreender diferentes tipos de textos, localizando neles as informações desejadas e também desenvolvendo atitudes de produção de textos, onde se sentem desafiados a refletirem antecipadamente sobre a informação que pretendem passar no seu texto. Os debates que tenho promovido em sala de aula também são oportunidades onde os alunos necessitam organizar suas idéias e pensamentos. Com certeza estes relatos comprovam o meu crescimento como professora, claro não tenho realizado grandes aventuras, mas estou inovando na alfabetização de adultos com resultados satisfatórios. A turma esta criando um blog onde cada aluno pode fazer suas postagens. Estávamos com problemas, pois no período da noite caia o disjuntor por sobrecarga,então só alguns alunos fizeram postagem,mas a turma vai continuar na próxima semana.
Endereço do blog da turma E1/E2:http://ejagentil.blogspot.com/
Consulta:
FERREIRO, Emília. Reflexões sobre Alfabetização. Tradução: Horácio Gonzáles (et.al). 24ª edição. São Paulo. Cortez. 2001 (coleção Questões da Nossa Época, V.14)
VALE, Maria José. Educação de Jovens e Adultos: A construção da leitura e da Escrita. São Paulo.IPF. 1999. (série ? Cadernos de EJA nº 4)
2 comentários:
Olá Marivani!
Como sugestão para esta postagem deixo a possibilidade de análise de uma destas atividades, fazendo uma breve descrição e a partir daí expor como ocorre tua intervenção perante esta situação de aprendizagem.
Abraços,
Vanessa
Oi Marivani!
Retomei tu postagem e percebi que as modificações que fizeste incrementaram tua postagem e a qualifificaram ainda mais.
Valeu pela retomada!!!
Abraços,
Vanessa
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