“Entre os muros da escola” (uma produção francesa, dirigida por Laurent Cantet e vencedor Palma de Ouro, Cannes, 2008), é um filme com muitas cenas didáticas com riqueza de detalhes, onde representa a decadência da educação francesa que tem semelhança com a nossa educação nas escolas públicas,pois temos uma diversidade de interesses entre alunos e professores gerando conflitos. Não temos necessariamente um culpado e um inocente, mas um contexto que favorece a situação. A escola representada no filme esta no caminho de uma gestão democrática, em algumas cenas podemos ver que os pais, os alunos e professores são representados, nos conselhos escolares, mas também podemos perceber que esta representação em alguns momentos não tem o conhecimento real de sua função como representantes de um seguimento. A gestão escolar democrática exige uma permanente atitude de escuta e abertura ao diálogo como princípios de ação, principalmente quando se trata da participação popular, onde é oportunizado o acesso a decisões e possibilidades de poder. No filme temos alunos de várias etnias, onde muitos pais não entendem o que a escola ensina e nem a escola os entende. Tem professores que demonstram interesse somente pelos alunos com possibilidades de resultados positivos, e François, que tenta uma aproximação amiga e sincera com seus alunos, isso não quer dizer que ele é “bonzinho”, mas um professor humano, que aprende com seus alunos, que ensina, corrige, orienta e também erra quando se coloca como alguém superior aos seus alunos.
“A educação é uma arte,cuja prática necessita ser aperfeiçoada por várias gerações.” Kant, Immanuel(1724-1804)
A cena que escolhi relata o professor François irritado com a postura das delegadas de classe que ao representarem seus colegas tem uma postura que segundo ele o envergonhara diante do conselho. As delegadas passam resultados finais do conselho de modo errado causando mais irritação ao professor, pois ele é interrompido durante uma explicação de francês com pergunta sobre as médias dos alunos. Ele tenta voltar a sua explicação, mas novamente é interrompido por outro aluno, Soleymane. O professor tenta fugir do assunto, mas Soleymane é visivelmente um aluno com problemas além da disciplina, pois se irrita com facilidade e perde o controle se sente perseguido e acredita que o professor quer vingar-se dele. François tenta convencê-lo de que ninguém esta ali para persegui-lo ou vingar-se dele, mas Esmeralda uma das delegadas de classe intervêm dizendo que o professor insultou o colega pois o chamou de “limitado”.
Soleymane fica aparentemente desmotivado sentindo-se insultado. O professor então se dirige as duas delegadas, Louise e Esmeralda, e pergunta qual o papel que devem representar no conselho de classe, como não respondem então ele diz devem representar a classe para assegurar o bom andamento da mesma e para que a aula não vire uma bagunça, pois quando elas levam o assunto de forma errada estão deturpando o trabalho de todos. Porém o que ocorre é que as representantes não tem clara a sua função e relatam os fatos como percebem, causando assim grandes transtornos na sala de aula. Soleymane desrespeita o professor e ao sair da sala transtornado sem perceber machuca uma colega trazendo grandes prejuízos para si.
O incidente resulta na expulsão do aluno, mostrando que a escola não esta preparada para lidar com a diversidade de culturas, com os preconceitos com dificuldade de comunicação entre escola e pais e vice e versa, mesmo numa escola aparentemente com gestão democrática. É muito claro que os professores não estão direcionados para a mesma linha de trabalho, veem a indisciplina como a causa principal do fracasso escolar e não se permitem uma reflexão sobre como proceder para atrair a atenção dos alunos para o conteúdo, não que este deva ser o assunto central de uma classe, mas que poderiam tentar encontrar o potencial de cada aluno sem massacrá-los com conteúdos desinteressantes.
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