segunda-feira, abril 20, 2009

Inclusão;

Como todos sabem, tenho um filho com necessidades especiais,não é muito fácil administrar essa situação em casa, quando se tem outra criança, o fato é que o meu filho mais novo, esta com problemas de fala, dificultando a leitura, ele esta no terceiro ano do ensino de nove anos,este ano não queria ir para a escola, todo dia era um problema, teve até febre algumas vezes, ele também tem atendimento com fono, psicóloga e psicopedagoga,mas não estava se adaptando a sala de aula este ano, pois não queria ler (não esta lendo nem para mim em casa), reclamava que os outros não o entendiam. E chegou a semana da Páscoa, que surpresa, chegou em casa bem animado disse : “A po pediu pala leva o coeios amanhã." Eu disse: O quê? Ele repetiu tentando falar com mais clareza. “A pofessola pediu parra leva os coelhinhos amanhã." Diante de tanto entusiasmo, perguntei se ela sabia cuidar dos bichinhos ,ele disse que ele é que ia cuidar. No dia seguinte levantou bem cedo arrumou tudo e levou os coelhos para a escola, a professora trabalhou a semana toda com a motivação, construindo textos sobre a páscoa, sobre os coelhos... e o indicou para mensageiro do coelho, desde então não teve mais problemas para ir à escola. Estou fazendo este relato para colocar, como uma situação tão simples às vezes pode mudar uma história complicada, ele continua em atendimento, mas a professora começou a vê-lo de maneira diferente e ele esta se sentindo igual aos demais da turma ,pois sabe que pode contribuir com a aprendizagem de seus colegas apesar de sua dificuldade em pronunciar algumas palavras, seus colegas também o vêem como um deles e não como o diferente (que fala errado).Eu sou alfabetizadora desde 1987, alfabetização é para mim fascinante, porque cada criança aprende de uma maneira e mesmo aquelas crianças que chegam ao final do ano e não estão prontas para compreenderem a leitura e a escrita, tiveram um grande avanço, mas tem também aquelas crianças que possuem um tempo diferente dos demais e nós precisamos aprender a respeitá-los. Não estou vendo com bons olhos o Projeto Alfa e Beta,sinto muito minha escola ter escolhido este ,pois sou grande admiradora da Emília Ferreiro, e do Projeto que o GEMPA desenvolve e que poderia ter sido escolhido,enquanto o primeiro me parece voltar ao passado o segundo seria um avanço, incluindo o respeito às diferenças de potencialidades de cada criança, que ao meu ver é indispensável para que haja a construção do conhecimento da leitura e escrita. Mesmo estando sem turma estou sempre atenta ao que se passa em minha escola e as notícias sobre alfabetização e educação. Destaco aqui um endereço onde podemos encontrar informações atualizadas sobre a educação no país.


www.ne.org.br/inclusão

Um comentário:

Beatriz disse...

Marivani, teu testemunho é a confirmação de que pequenas ações podem gerar grandes resultados. Quando falas que a professora começou a ve-lo diferente eu não concordo. Diria que ela começou a ve-lo como igual aos demais, aceitou a diferença e percebeu que era possível trabalhar com ela. As diferenças precisam ser vistas sempre com olhos voltados para a inclusão. O que é inclusão? É ter as mesmas oportunidades de chegar ao mesmo ponto de chegada dos demais, saindo de um ponto de partida bem diferentes da maioria.Por isso mesmo, ele precisa de um tratamento diferente, especial.
Fico muito contente pelo teu filho: ele é um vitorioso.
Mari, escreve mais, por favor!!
Um abração
Bea
Um abração
Bea