
Ufa!
Estas três semanas foram as mais exaustivas do ano.
Devido ao cansaço chego a pensar que a indicação para diretor de escola pública deveria ser por concurso e nomeação, mas logo me dou conta do absurdo que isso poderia ser. Já pensaram???? Um único diretor por DEZ, quinze ,VINTE anos, pois certamente o diretor que fosse nomeado poderia ficar até se aposentar. ESSA REALMENTE NÃO PODERÁ SER A MELHOR FORMA DE ESCOLHA PARA A DIREÇÃO DE UMA ESCOLA.Porém não basta termos eleições,pelo voto direto nas ecolas, é preciso democratizar todas as práticas da comunidade escolar. A democracia deve ser um príncipio, que precisa ser praticado em todos os ambientes, principalmente no espaço escolar. “Uma das tarefas mais importantes da prática educativo-crítica é propiciar as condições em que os educandos em suas relações uns com os outros e todos com o professor ou com a professora ensaiam a experiência profunda de assumir-se. Assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos...” (FREIRE,1997, p.46).
Volto a pensar nas três últimas semanas e no processo que passamos e entendo que mesmo estando cansada,tivemos uma grande lição de democracia, talvez a melhor de todas as aulas tenha sido essa eleição,pois a comunidade escolar ajudou a construir a história da nossa escola ,como parte atuante no processo de decisão da escolha de diretor. A comunidade esta atuante e deve permanecer assim para que as promessas de campanha e o plano de ação não fiquem engavetados.
Eu me mantive neutra durante o processo, precisava fiscalizar ambos os lados, pois faço parte do Conselho Escolar e tinha como função fiscalizar e providenciar os recursos necessários aos candidatos e Comissão Eleitoral, já que a atual diretora também estava concorrendo. No dia da eleição , estive presente do início ao fim, fazendo a contagem dos votos e divulgando o resultado final. Percebi que ainda temos muitas pessoas comprometidas com a educação, mas que a neutralidade ou o apoio DE ALGUNS a um determinado candidato nem sempre é em favor da melhor educação,pois também temos alguns membros do magistério que pensam primeiro no seu próprio benefício, sem se importar se vai ou não ser melhor para a educação. Penso que democracia se constrói com pessoas democráticas e não com pessoas egoístas, mas sei que teremos pessoas de todo tipo,por isso é preciso ter esperança, ousadia e coragem de enfrentar as adversidades do dia a dia. É preciso, acreditar na integridade, na beleza, e no poder de transformação do ser humano. Paulo Freire , grande educador que muito admiro,encerra a minha reflexão.
"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão."
"Pedagogia do Oprimido". Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, p. 78
Um comentário:
Oi, Marivani!
Fiz uma leitura bastante semelhante a tua sobre a questão da democracia e dessas eleições para direção de nossa escola.
E, em minha experiência de militância, tanto junto ao sindicato, quanto junto aos alunos e professores, em prol da educação, da liberdade de expressão, do compromisso com a verdade, julgo que muita coisa "não foi dita" por imposição legal e "muita coisa foi dita" nos bastidosres e que nunca deveria ter sido pronunciada...
Fazer o quê não é? São essas e outras coisas que tornam a vida tão interessante...
Com certeza, nos próximos meses essas coisas virão a tona, e o que hoje parece "azul" se tornará "vermelho" e vice-versa...Será uma coisa muita "bonita" de se ver.
Eu espero estar por perto para assitir e participar, como sempre, de maneira atuante, jamais sem deixar de me posicionar. Faz parte da minha personalidade.
Quanto a atuação da comissão, com toda a certeza foi, imparcial, não deixou que os abusos e os excessos de ALGUNS professores, como disseste viessem a sujar uma campanha tão democrática e transparente. Parabéns!
Abraços, Sônia Maris
Postar um comentário